ONU denuncia repressão e diz que situação pode sair do controle na Bolívia

"As mais recentes [mortes] parecem resultar de um uso desnecessário da força por parte do pessoal militar", disse porta-voz.

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Foto: Reprodução/Jornal GGN

A ONU denunciou neste sábado (16) a repressão e o uso excessivo da força armada na Bolívia. A declaração foi feita pela alta comissária para Direitos Humanos, Michelle Bachelet, que alerta que a situação no país sul-americano pode “sair do controle.

Dias depois da renúncia de Evo Morales, a crise na Bolívia não perdeu força. Entre observadores internacionais, o temor é de que a situação em La Paz acabe criando um segundo foco de intensa instabilidade, depois do caso da Venezuela.

A região ainda chama a atenção da comunidade internacional por conta da tensão no Chile e Haiti. A ONU decidiu fazer o alerta depois da morte de pelo menos oito manifestantes na sexta-feira em Sacaba (Cochabamba), supostamente como resultado do uso de munições letais pelas forças de segurança.

Segundo o portal UOL, Bachelet quer que as autoridades garantam que as forças de segurança cumpram as normas e padrões internacionais sobre o uso da força, bem como garantam o direito à vida e à integridade física dos manifestantes.

“Temos informações de que pelo menos 17 pessoas morreram no contexto dos protestos, incluindo 14 nos últimos seis dias. Embora as primeiras mortes tenham ocorrido como resultado de confrontos violentos entre manifestantes rivais, as mais recentes parecem resultar de um uso desnecessário ou desproporcional da força por parte da polícia ou do pessoal militar”, alertou.

E continuou: “Condeno estas mortes. Esta é uma evolução extremamente perigosa, porque, longe de apaziguar a violência, é possível que a agrave. Estou realmente preocupada que a situação na Bolívia possa ficar fora de controle se as autoridades não lidarem com ela cuidadosamente, de acordo com as normas e padrões internacionais que regem o uso da força e com pleno respeito aos direitos humanos”, disse a ex-presidente chilena. “O país está dividido e as pessoas de diferentes setores do espectro político estão indignadas. Em uma situação como esta, as ações repressivas por parte das autoridades simplesmente irão alimentar ainda mais essa raiva, podendo comprometer qualquer possível via de diálogo.

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